
Xamã (Gabriel Trindade/Divulgação)
Xamã relembra estreia no Rock in Rio: ‘Nunca tinha cantado para 30 mil’
Rapper fecha a programação do Espaço Favela neste domingo (6), às 19h10
Antes de subir ao palco do Rock in Rio pela primeira vez, Xamã nunca tinha colocado os pés na Cidade do Rock.
Em 2019, além de estrear no festival, o rapper conseguiu ingressos para a família inteira. Quando terminou o show, fez o caminho inverso ao habitual: saiu do palco e foi direto para a plateia curtir o restante do dia com os amigos e familiares.
Sete anos depois, Xamã retorna neste domingo (6) justamente ao Espaço Favela, onde começou sua história no festival. Ele fecha a programação do palco às 19h10, depois dos shows de Budah, às 15h, e Rael, às 16h50.
É a terceira participação do carioca no Rock in Rio.
“Eu nunca tinha ido ao Rock in Rio. Desci do palco e fui direto para a plateia. Consegui ingresso para a minha família toda, então a gente viveu o Rock in Rio pela primeira vez. A gente fez parte da magia do show e da magia de presenciar os outros.”
A estreia aconteceu em 6 de outubro de 2019, último dia daquela edição. Xamã era a principal atração do então recém-criado Espaço Favela, uma das novidades que o festival havia inaugurado naquele ano.
‘Nunca tinha cantado para 30 mil pessoas’
Na memória de Xamã, o primeiro Rock in Rio também marcou o momento em que a dimensão alcançada por sua carreira deixou de ser apenas uma sequência de números, shows e compromissos na agenda.
“Quando subi no palco, eu chorei vendo aquilo porque ainda não tinha virado a chave do que a gente estava vivendo. Nos primeiros 15 segundos, eu nem cantei, fiquei com a voz meio fodida. Eu nunca tinha cantado para 30 mil pessoas na vida. Era tudo”, relembra à Billboard Brasil.
Na época, o rapper vinha de uma ascensão construída nas batalhas de rima do Rio de Janeiro e nos primeiros discos da carreira. O convite de 2019 partiu do curador Zé Ricardo, que acompanhava artistas do circuito independente e chegou a Xamã após ouvir “O Iluminado”. O próprio músico já definiu aquela apresentação como seu “primeiro grande festival”.
A passagem ficou na cabeça do rapper depois que os portões se fecharam.
“Aquele show ficou um ano na minha cabeça e mudou tudo na forma como comecei a pensar o palco, outras ideias, outros discos”, diz.
Xamã: do Espaço Favela ao Sunset
O segundo capítulo veio em 2022. Desta vez, Xamã deixou o Espaço Favela para se apresentar no Palco Sunset, em um dia dedicado ao rap.
O show teve participação do Brô MC’s, grupo indígena de Mato Grosso do Sul que mistura português e guarani em suas rimas, além de encontros com L7NNON e Major RD.
Naquele momento, músicas como “Malvadão 3” e “Leão” já haviam aumentado o alcance de Xamã para além do público que acompanhava sua trajetória desde as rodas de rima. Agora, ao retornar ao Espaço Favela, ele vê as três apresentações como capítulos de uma mesma história.
“É meio como se fosse uma trilogia. Agora é o momento em que estou mais preparado, talvez. A gente passou esse tempo todo colhendo informações, aprendendo coisas no palco, na estrada, construindo álbuns. Acho que é o momento em que estamos com as asas mais planas, mais conscientes para aproveitar o show e trazer tudo que construímos nessa carreira.”
O retorno ao palco de 2019 também tem um componente de escolha do próprio festival.
Ao anunciar Xamã para 2026, o Rock in Rio o colocou novamente entre os nomes que fecham a programação do Espaço Favela, área criada para reunir artistas e manifestações culturais ligadas às periferias brasileiras.
Xamã promete atravessar diferentes fases da carreira
O repertório deste domingo não deve ficar limitado a uma fase. Xamã diz que procura montar os shows considerando um público que passou a conhecê-lo em momentos diferentes — das batalhas e primeiros discos aos hits nacionais e aos trabalhos na televisão.
“A gente acha bacana poder trazer um sucesso de 2018, ‘Poesia Acústica’, músicas de ‘Pecado Capital’ e coisas mais recentes. Depois que a gente fez TV, música, batalhas e tudo, nossa plateia ficou com a galera que acompanha há muito tempo e com uma galera que acabou de conhecer.”
Entre os trabalhos recentes está “Flerte”, lançado no fim de agosto. O disco tem oito faixas e participações de Ludmilla, L7NNON, Amabbi, NP e Nomad, com uma sonoridade que aproxima o rap de afrobeat, amapiano, dancehall e house.
Depois do show, Xamã quer voltar para a plateia
A programação deste domingo pode ajudar Xamã a repetir outro hábito da estreia. Depois de encerrar seu show às 19h10, o rapper pretende continuar circulando pela Cidade do Rock.
No Palco Mundo, Nelly se apresenta às 19h, seguido pelo Black Eyed Peas, às 21h20, e Calvin Harris, à 0h05. No Sunset, Jota Quest toca Tim Maia às 20h10 e Ne-Yo fecha o palco às 22h45. O dia 6 está com ingressos esgotados.
O Black Eyed Peas está entre as prioridades de Xamã.
“Eu vou em todos os shows que puder. Black Eyed Peas fez parte da minha infância inteira. Toda vez no Rock in Rio parece que vem um artista que faz você pensar: ‘Esse dia aqui eu vou voltar para a minha época’.”
E, como aconteceu em 2019, ele pretende cruzar a Cidade do Rock mesmo sem a facilidade reservada aos artistas.
“Eu tento de todas as maneiras possíveis. Quando não consigo carrinho para ir, vou andando. Às vezes o palco está do outro lado e de carrinho você leva cinco minutos. Se não conseguir, vai andando 15 minutos também para curtir o show. Vive o festival da mesma maneira que a galera.”