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Black Pantera volta ao Rock in Rio ao lado da Nervosa

Banda mineira se apresenta no Palco Sunset neste sábado (5) às 17h50

Black Pantera

Black Pantera (@marcoshermes)

O Black Pantera volta ao Rock in Rio neste sábado (5), pela terceira vez na história da banda. Desta vez, o trio mineiro formado por Chaene da Gama, Charles Gama e Rodrigo “Pancho” Augusto divide o Palco Sunset com a Nervosa, em um encontro que promete unir duas das principais forças do metal brasileiro com atuação internacional.

A apresentação acontece às 17h50 e marca uma nova passagem do grupo pelo festival. Para Pancho, retornar ao evento neste momento da carreira tem um significado especial. “A primeira vez foi uma viradinha de chave para a banda”, afirma, lembrando o show de 2022, realizado após a pandemia e transmitido ao vivo.

Desde então, o grupo lançou os álbuns de estúdio “Perpétuo” (2024) e “Continental” (2026), ampliou a presença fora do Brasil e passou a ocupar espaços maiores dentro da cena. “A gente consegue expandir bastante a nossa mensagem”, diz o baterista sobre a importância de tocar para um público que talvez não frequentasse festivais menores ou eventos underground.

O encontro com a Nervosa também tem um componente simbólico. Segundo Chaene, as duas bandas possuem posicionamentos que se aproximam. “A Nervosa sempre teve um posicionamento nas questões feministas e o Black Pantera é uma banda antirracista, então acaba que as pautas convergem e dialogam”, explica.

A apresentação terá músicas dos dois grupos e participações entre as bandas. Chaene antecipa ainda outros momentos especiais. “A gente vai tocar a música delas, elas também vão tocar as nossas”, conta. O baixista também promete tributos a outros artistas e surpresas durante o show.

A apresentação acontece semanas depois do lançamento de “Continental”, quinto álbum de estúdio do Black Pantera, lançado em 21 de agosto pela Deck. O disco reúne participações de Duquesa, Sandra Sá e Derrick Green, vocalista do Sepultura, ampliando a mistura de referências e sonoridades que atravessa o trabalho.

As faixas com participações especiais também ganharam clipes, que fazem parte de um projeto audiovisual de 17 minutos relacionado ao disco. A volta ao Rock in Rio acontece, portanto, em uma fase de expansão para o Black Pantera.

Mais do que repetir a experiência das duas participações anteriores, a banda chega ao festival interessada em ampliar a conexão com o público. “A gente continua aprendendo, continua querendo saber, continua querendo expandir o nosso som, não se repetir, mas continuar levando a mensagem”, afirma Chaene.

Em uma conversa por vídeo com a Billboard Brasil semanas antes do lançamento de “Continental”, o Black Pantera contou um pouco sobre a responsabilidade e oportunidade de voltar ao Rock in Rio, dividir o palco com a Nervosa e até deu sugestões de leitura. Confira o papo com a banda abaixo.

O Black Pantera  já passou por vários festivais importantes e esta será a terceira vez no Rock in Rio. O que representa voltar ao festival neste momento da carreira?

Rodrigo “Pancho” Augusto: Cada vez é muito importante. Mas A primeira vez foi extremamente importante porque foi uma viradinha de chave para a banda. A gente estava voltando de uma pandemia, abriu o festival, foi transmitido ao vivo e isso mudou nossa vida.

Depois, a gente lançou “Ascensão” junto com esse show. Começamos a tocar mais pelo Brasil todo. A segunda vez também foi sensacional, com o álbum “Perpétuo”. Agora estamos lançando “Continental” e podemos tocar no Rock in Rio no mês seguinte.

É sensacional porque é um festival que atrai um público que talvez não iria a um evento menor, underground. A gente consegue expandir bastante a nossa mensagem. Além de ser gostoso, é um festival com uma estrutura maravilhosa. É importante espalhar a mensagem para muitas pessoas ao mesmo tempo.

O que o público pode esperar desse show com a Nervosa?

Chaene da Gama: A gente tem que prezar pelas coisas que já fazemos no show, mas também tem o álbum saindo, então precisamos privilegiar esse trabalho. E temos que pensar nessa dinâmica com as meninas, que já está rolando.

A gente vem conversando desde a época do convite. Vai ser um show bem dinâmico. As pessoas vão gostar, vão ter várias surpresas. A gente vai tocar uma música delas, elas também vão tocar uma nossa e vão ter o momento delas no palco, que achamos extremamente importante.

Também devemos fazer alguns tributos a artistas que estão fora dessa questão Black Pantera e Nervosa. Então podem esperar algumas surpresas.

O que significa dividir o palco com uma banda que também representa o metal brasileiro no exterior?

Charles Gama: Para a gente é uma satisfação enorme. As meninas já estão há um tempo na estrada e já foram para a gringa. A gente ficava observando de longe a vitória delas. A Prika [Amaral] é extraordinária, e as meninas, de modo geral, são muito incríveis.

Poder ter esse espaço gigante do Rock in Rio e proporcionar música, tanto a nossa quanto a delas, é visceral e muito empolgante. A Nervosa já tem essa história dentro do metal brasileiro e a gente também está caminhando nesse sentido.

É um encontro de gerações do metal nacional, da música pesada nacional, em um espaço gigante. Para a gente é mais que uma honra, é fazer uma sonzeira absurda. A gente até fica um pouco nervoso porque é uma banda tecnicamente brutal, com performances incríveis. Queremos dar tudo da gente também.

Chaene da Gama: Acho que as meninas ainda vão além do trabalho que a gente faz na gringa. Elas moram na Europa. Tanto que falar com a Prika foi meio: “Velho, onde você está?”. Então era uma questão de fuso horário.

Elas estão construindo essa carreira lá fora e espero que o Black Pantera continue também. A gente tocou em vários países estrangeiros e tem a meta de ampliar cada vez mais nosso raio de alcance.

Rodrigo “Pancho” Augusto: A Nervosa é uma inspiração. Acho que somos da mesma geração, mas é uma inspiração esse corre que elas fazem fora do país, levando o nome do Brasil para o mundo todo. Vai ser um prazer imenso dividir o palco.

A gente já tocou com elas no Rio, no Circo Voador. O Black Pantera abriu o show delas e já foi uma conexão muito gostosa. O Charles fez uma participação no show delas cantando. Então vai ser lindo, o público pode esperar uma conexão muito forte entre as duas bandas.

Existe uma afinidade artística entre Black Pantera e Nervosa que torna esse encontro especial?

Chaene da Gama: Acho que a gente se dá bem porque os dois discursos de certa forma caminham juntos. A Nervosa sempre teve um posicionamento nas questões feministas e o Black Pantera é uma banda antirracista.

Então as pautas convergem e dialogam. Era mais do que natural uma apoiar a outra. Quando decidiram que o Black Pantera seria convidado e pediram sugestões de bandas para o Palco Sunset, sugerimos vários nomes, sempre privilegiando também as bandas femininas. Acabou ficando a Nervosa.

 

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Vocês sentem que hoje o público presta mais atenção às letras do Black Pantera?

Chaene da Gama: Sim, com certeza. A busca pela excelência na escrita veio muito disso. Com “Perpétuo”, a gente tinha o receio de como músicas como “Tradução”, “Candeia” e “Perpétuo” seriam recebidas.

Elas têm peso, mas vão para outro caminho, com mais melodia vocal. E foi muito foda, você vê as pessoas cantando a plenos pulmões. Acho que em “Continental” conseguimos trazer o pesado e a rapidez, mas também fluir para esse lado em que a galera consegue cantar.

“Hórus” tem um refrão incrível e já consigo imaginar como a galera vai responder ao vivo. Essa resposta é o que nos faz continuar buscando essa conexão com o público por meio das letras e das mensagens.

A leitura sempre é uma extensão do pensamento da banda. Vocês têm alguma indicação de leitura atual?

Chaene da Gama: Acho que todo mundo tinha que ler “O Quilombismo”, do Abdias do Nascimento. É um livro que mudou muito a minha perspectiva de pensar no movimento negro. Ele esteve à frente desse movimento desde antes da ditadura, com questões relacionadas ao pan-africanismo.

A visão dele está nos textos que escreveu e isso me ajudou muito a escrever as coisas que vieram no Black Pantera a partir de “Perpétuo”. Então indico “O Quilombismo”, do Abdias do Nascimento.

Rodrigo “Pancho” Augusto: Eu li esta semana “O Jardim do Erê”, da Aline Rosa, que é uma escritora de Uberaba. Ela participou das gravações de um dos nossos clipes e nos presenteou com o livro.

É uma leitura muito gostosa, que pode ser feita por adultos e crianças. Fala sobre histórias dos orixás. Para mim, que não sou de religião de matriz africana, foi bacana conhecer um pouco mais dessas histórias.

Charles Gama: Estou lendo “Travessia: A Vida de Milton Nascimento”, da Maria Dolores. É a biografia do Milton Nascimento. Você começa a perceber que o Milton é muito mais punk que um monte de gente que se diz punk por aí.

Para ter a carreira dele, chegar onde chegou e alcançar os números que alcançou, existe toda uma história. Também tem a luta da vida da mãe dele. Acho que é um momento ideal para conhecer a biografia de artistas brasileiros e descobrir mais profundamente essas trajetórias.

O Black Pantera já tem mais de uma década de estrada. Qual foi a maior transformação da banda nesse período?

Rodrigo “Pancho” Augusto: Acho que foi o aprendizado. De 12 anos para cá, a gente vem se moldando e entendendo nosso lugar em relação à consciência política, de classe e racial.

Estar no Black Pantera foi trazendo esse ensinamento. Fãs e amigos sempre nos indicaram livros, filmes, documentários e professores, passando ideias para aprofundarmos também as letras. Fomos aprendendo a ter uma consciência que talvez, 12 anos atrás, não tivéssemos tanto.

Chaene da Gama: Não tinha mesmo. Black Pantera é a nossa universidade, a nossa pós-graduação. Foram várias viradas de chave ao longo desse tempo. O Rock in Rio de 2022 foi uma delas. O primeiro show foi histórico e nos colocou em outro lugar.

Foram vários momentos importantes e a gente continua aprendendo, querendo saber e expandir o nosso som. Não queremos nos repetir, mas continuar levando a mensagem.

Charles Gama: É responsabilidade. Hoje a gente sabe que é responsável por energizar as ideias das pessoas, dar voz e terreno, seja no show ou no dia a dia.

Recebemos muitas mensagens de pessoas dizendo que colocaram nosso som para se animar ou que uma música foi o escudo e o alicerce delas em determinado momento. Nesses 12 anos, entendemos a responsabilidade com o nosso som.

Não é somente um som jogado ao vento. É a vida das pessoas cantada ali, com riffs, bateria e baixo. Há uma responsabilidade muito maior hoje do que quando éramos apenas três moleques fazendo som. É uma coisa muito maior do que nós.

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