Cabês revisita mais de 20 anos de hip-hop em ‘Ciclos’
Quinto álbum do rapper reúne 12 faixas e participações de Rashid e Matéria Prima

Cabês (Reprodução)
Depois de quase uma década sem lançar um álbum autoral, Cabês retoma sua trajetória como MC com “Ciclos”, quinto disco da carreira, que chega às plataformas digitais em 25 de setembro.
Com 12 faixas, o projeto revisita mais de duas décadas de relação do rapper curitibano com o hip-hop e tem o boom bap como principal base sonora.
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O álbum foi desenvolvido ao longo de quase três anos e nasceu de um processo que chegou a aproximadamente 60 músicas antes da seleção final. Entre as participações estão Rashid, Matéria Prima, Bianca Hoffmann, Jamah, DJ Marco e DJ Vitonez, enquanto a produção reúne nomes como Nave Beatz, Skeeter Beats e Lemoskine.
“Ciclos representa pra mim essa eterna transformação que o ser humano passa durante a vida. São vários ciclos de crescimento, aprendizado, superação e assimilação de processos”, explica Cabês.
A ideia também passa pela própria trajetória do artista. Cabês começou a rimar em Curitiba em 1999 e, no ano seguinte, passou a produzir beats. Em 2004, fundou o estúdio Track Cheio e passou a dividir sua carreira entre o trabalho como rapper e a produção musical.
Antes de “Ciclos”, lançou quatro trabalhos autorais. Nos bastidores, trabalhou como produtor e engenheiro de som com artistas como Karol Conká, Yago Oproprio, Coruja BC1, Rapadura, Lívia Cruz, Zudizilla, Matéria Prima e Max B.O.
A mudança para São Paulo, em 2018, fez com que a produção autoral ficasse em segundo plano, enquanto Cabês buscava se estabelecer profissionalmente como produtor musical.
A experiência na capital paulista acabou se tornando uma das bases do disco que marca agora seu retorno.
“Minha mudança para São Paulo também foi um deles: precisei amadurecer e reaprender a navegar certas situações, agora vivendo no berço do rap e no centro econômico do Brasil. Esse disco nasce muito do que aprendi atravessando tudo isso”, afirma.
Musicalmente, “Ciclos” também representa uma volta ao ponto de partida. Assim como “Todo Dia É Assim”, primeiro álbum do rapper, lançado em 2009, o novo trabalho tem o boom bap como espinha dorsal e recupera elementos como DJs e scratches.
“Eu quis voltar para a essência. Vim do skate, conheci o hip-hop na rua, passei pelo break, pelo graffiti e depois cheguei ao rap e à produção musical. Tudo isso formou a maneira como eu enxergo a música”, conta.
“Depois de navegar por muitos estilos como produtor, senti que era a hora de fazer novamente um disco de boom bap e reencontrar o ponto de partida da minha própria história, mas com toda a bagagem que adquiri até aqui”, completa.
Uma das faixas que representa esse reencontro é “História sem Fim”, parceria com Rashid. O repertório também abre espaço para outras sonoridades, chegando ao R&B em “Olhos nos Olhos”.
A relação com o skate também atravessa o conceito do álbum. Cabês associa o processo de cair e repetir uma manobra até acertá-la à maneira como passou a enxergar diferentes momentos de sua trajetória.
“O skate me ensinou muito sobre cair, levantar e tentar de novo até acertar a manobra. Levei isso para a vida e para o hip-hop. O disco fala sobre acreditar no próprio potencial e se permitir sonhar, mesmo dentro de um sistema que muitas vezes faz a gente trocar os sonhos pela sobrevivência”, diz.
“Ciclos” é dividido conceitualmente em três atos. “Essência” concentra temas ligados a impulso, energia, fundamento e missão; “Reflexão” leva o repertório para questões mais introspectivas e vulneráveis; e “Inspiração” encerra o percurso com temas como fé, esperança e continuidade.
A estrutura também dialoga com referências como Kintsugi, Ouroboros e a Roda de Samsara, incorporadas à identidade visual da capa criada por Fabrício Faustin e Pietro Rezende, do Balaclava Studio.
“A gente tem a impressão de que a vida acontece em linha reta, mas eu enxergo muito mais como uma espiral. Quando você não aprende determinada lição, muitas vezes acaba encontrando aquela situação novamente até conseguir atravessá-la de outra forma”, explica.
As participações também foram escolhidas a partir das relações construídas pelo rapper ao longo dos anos.
DJ Vitonez, por exemplo, mantinha uma loja na Galeria do Rock onde Cabês vendeu algumas das primeiras cópias de seu álbum de estreia em São Paulo, em 2009.
Matéria Prima faz parte de uma conexão iniciada na década seguinte, enquanto Rashid é contemporâneo e amigo do artista.
“Eu fiz questão de trazer pessoas que são parceiras de música, mas também de vida. Tem gente nesse disco que acompanha minha caminhada há muitos anos, que me recebeu quando eu vinha para São Paulo, que incentivou meu trabalho e que faz parte da minha relação com o hip-hop. Então as participações também ajudam a contar esses ciclos. Não são encontros aleatórios”, afirma.
“Ciclos” será lançado em 25 de setembro, acompanhado por um curta-metragem em formato de manifesto, produzido pela Sarça Filmes, e lyric videos para as 12 faixas. O projeto marca o retorno de Cabês aos álbuns autorais, enquanto revisita as bases que deram início à sua trajetória no hip-hop.
Escute os sucessos de Cabês
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