Mulher que acusou Jay-Z de estupro pede desculpas: ‘Ele nunca me estuprou’
Ela culpa ex-advogados por entrar com a ação sem investigação prévia

Jay-Z (Reuters)
Uma mulher que acusou Jay-Z de estuprá-la quando ela tinha 13 anos retratou-se totalmente de suas alegações, declarando a um juiz federal que suas afirmações eram “falsas”, que ela sofria de problemas de saúde mental e que seus ex-advogados entraram com a ação judicial explosiva sem a devida diligência.
Em novos documentos judiciais apresentados na quinta-feira (24) em um processo movido por Jay-Z contra a acusadora e seu ex-advogado Tony Buzbee, a mulher — identificada nos autos como “Jane Doe” (nome fictício usado para proteger a identidade) — desmente as alegações feitas no processo impactante de 2024, afirmando explicitamente que ele “nunca me estuprou” e que ela “nunca conheceu nem falou com o Sr. Carter”.
“O Sr. Carter jamais teve qualquer conduta imprópria em relação a mim”, escreve a mulher no documento, assinado sob pena de falso testemunho. “Compreendo que minhas falsas acusações causaram ao Sr. Carter imensa dor, sofrimento e danos que jamais poderão ser totalmente reparados.”
No mesmo documento, Doe afirma ter tido apenas uma conversa telefônica com seus advogados antes de eles entrarem com a ação inicial. Ela acredita que Buzbee e seus outros ex-advogados protocolaram o processo “sem realizar qualquer investigação independente, verificação de antecedentes ou diligência prévia, e sem obter qualquer comprovação das alegações”.
Doe também alega ter informado aos advogados sobre suas “condições de saúde mental” antes de eles apresentarem as acusações contra Jay-Z, mas que eles “jamais fizeram perguntas sobre se isso afetava minha memória e recordação dos fatos alegados”. Ela diz ainda que, posteriormente, eles lhe entregaram US$ 1.000 em dinheiro antes de uma entrevista de grande repercussão à NBC News sobre as acusações.
Buzbee não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Billboard.

Em declaração à Billboard, o novo advogado de Doe, J. Blair Newman, disse: “Nossa cliente sustenta que foi vítima de agressão sexual, mas estava totalmente equivocada em suas alegações ao identificar o Sr. Carter, e tais alegações eram falsas”. Ele acrescentou mais tarde: “Ela pede desculpas sinceras e incondicionais ao Sr. Carter e à sua família”.
A nova petição judicial afirma que “Doe” não “recebeu nem lhe foi prometida qualquer compensação financeira” em troca de sua retratação, e que ela a estava fazendo “voluntariamente e por livre e espontânea vontade”. No entanto, a declaração veio acompanhada de uma petição para retirá-la voluntariamente da condição de alvo do processo movido contra Jay-Z.
Buzbee, que apresentou dezenas de ações por abuso contra Sean “Diddy” Combs durante a derrocada do magnata, incluiu Jay-Z em um desses processos em dezembro de 2024. As alegações chocantes sustentavam que as duas estrelas haviam drogado e agredido uma adolescente durante uma festa após a cerimônia do MTV Video Music Awards de 2000.
Jay-Z negou veementemente as acusações e reagiu de forma agressiva, alegando que Buzbee e sua cliente — cuja identidade não foi revelada — haviam inventado as alegações numa tentativa de extorsão. Ele classificou o caso como uma “tentativa de chantagem” e prometeu responsabilizar Buzbee por tê-lo iniciado.
O processo contra Jay-Z foi rapidamente encerrado em fevereiro de 2025, menos de três meses após a inclusão do nome do astro. Contudo, desde então, o rapper tem movido suas próprias ações judiciais contra Buzbee. Ele entrou com um processo em um tribunal de Los Angeles, acusando o advogado de extorsão e difamação, e outro em um tribunal federal alegando litigância de má-fé e conspiração civil.
O caso na Califórnia foi arquivado no início deste mês por um tribunal estadual de apelação, que afirmou não haver provas de que Buzbee tivesse entrado com a ação sabendo que as acusações eram falsas. No entanto, o processo federal ainda está em andamento — e foi nele que “Doe” apresentou sua retratação na quinta-feira.
No documento, ela não afirma categoricamente que Buzbee ou seus outros ex-advogados (David Fortney e Antigone Curis) sabiam que suas alegações contra Jay-Z eram falsas antes de apresentá-las. Contudo, alega que eles não se esforçaram muito para verificar a veracidade das informações.
Após responder a um anúncio no Facebook de um escritório de advocacia chamado AVA Law Group, que buscava supostas vítimas de Diddy, “Doe” diz que preencheu um formulário e, em seguida, teve uma breve conversa por telefone com alguém do escritório. Ela relatou a suposta agressão, segundo afirma, mas disse à empresa que havia comparecido a uma cerimônia de premiação diferente no ano 2000, e não ao MTV VMA.

“Além daquele único telefonema… não me recordo de ninguém ter me entrevistado ou discutido minhas alegações comigo antes de a denúncia de outubro ser protocolada”, escreveu ela na declaração apresentada na quinta-feira. “Na verdade, eu nem sabia que a denúncia de outubro havia sido protocolada até semanas depois.”
Antes da denúncia de dezembro de 2025, que pela primeira vez citou publicamente Jay-Z como réu, Doe diz ter assinado uma declaração jurídica confirmando que “minhas alegações contra o Sr. Carter e o Sr. Combs eram verdadeiras”. Na ocasião, ela afirma ter “fornecido os nomes de meu pai e do amigo que me levou de carro a Nova York”, mas que “ninguém me pediu provas das minhas alegações ou outras testemunhas que as corroborassem”.
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Antes da entrevista à NBC News, ela diz que Fortney a “orientou sobre como agir e o que dizer”. E afirma que sequer conhecia Buzbee, tendo tido apenas um breve encontro com ele em uma cafeteria de Houston pouco antes da entrevista.
“O Sr. Buzbee me deu US$ 1.000 em dinheiro para mim e minha família”, diz Doe em sua petição. “A reunião durou cerca de 10 minutos. Não se discutiu nada de substancial, apenas amenidades, embora eu me lembre de que o Sr. Buzbee falou apenas sobre o Sr. Carter, e não sobre o Sr. Combs.”
Doe afirma que, em janeiro de 2025, “começou a duvidar de suas alegações contra o Sr. Carter” e “também começou a duvidar de que algum dia tivesse ido a uma festa com celebridades”. Após expor essas dúvidas aos seus advogados, ela diz que Fortney a visitou e informou que eles desistiriam do caso.
“Ele disse que era possível que o Sr. Carter ou pessoas ligadas a ele descobrissem meu nome e endereço”, escreve ela. “Disse que era perigoso sequer falar sobre o caso.”
A petição também relata uma reunião ocorrida em fevereiro de 2025 entre Doe e dois investigadores contratados por Jay-Z. Uma gravação dessa reunião — na qual ela supostamente admitia que as alegações eram falsas e que Buzbee a havia pressionado a mentir — foi uma peça-chave de prova contestada no processo anterior na Califórnia; no entanto, um juiz decidiu no ano passado que a gravação constituía um relato de “boato” inadmissível e recusou-se a levá-la em consideração.
Em sua petição apresentada na quinta-feira, Doe afirma ter analisado a transcrição da gravação e que esta é, “segundo minha memória, um retrato fiel, preciso e completo daquela conversa. As declarações que fiz àqueles investigadores, de que o Sr. Carter não me estuprou, eram precisas e verdadeiras.”
[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].
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