Coluna: não existe uma única rota para exportar a música brasileira
Relatório da Chartmetric mostra caminho de cada gênero brasileiro no exterior

(Techivation/Unplash)
Não existe uma fórmula pronta para um artista brasileiro construir uma carreira internacional, e um novo relatório da Chartmetric sobre música ajuda a provar isso. Eles compararam Brasil, México, Japão, Índia e Nigéria para entender como artistas desses mercados estão construindo audiência fora de seus países.
Para fazer essa comparação, usam o Chartmetric Score, uma nota que cruza a performance dos artistas em 16 plataformas diferentes, entre streaming e redes sociais.
E o primeiro dado já mostra uma mudança muito importante: o número global de artistas classificados como superstar pela Chartmetric mais que dobrou em 5 anos. Foi de 972 para 2.539. Enquanto isso, a participação americana nesse grupo caiu de 45% para 33%. Isso não quer dizer que os Estados Unidos estão produzindo menos artistas gigantes — quer dizer que o resto do mundo está produzindo muito mais.
E aí, quando você olha para Brasil, México, Japão, Índia e Nigéria, percebe outra coisa: não existe uma única rota para chegar lá. O próprio Brasil é um ótimo exemplo — repara nisso: o forró teve 846 entradas em paradas virais internacionais e chegou a 49 países diferentes. O funk brasileiro teve 376 entradas, menos da metade, mas alcançou 6 países. O hip-hop brasileiro teve 276 entradas e chegou a 3.

Ou seja, presença internacional e alcance internacional são duas coisas diferentes: você pode aparecer muitas vezes em poucos mercados, ou viajar menos vezes, mas chegar muito mais longe. E isso deveria mudar a forma como a indústria pensa em investimento internacional, porque talvez não faça sentido aplicar a mesma estratégia para todos os gêneros, cenas e artistas.
E tem outro dado interessante: se você olhar apenas para as entradas brasileiras nas paradas do Spotify, por exemplo, nos últimos anos, parece que o Brasil entrou em queda. Foram 1.620 entradas em 2021; em 2022, explodiram para 4.786; depois começaram a cair, chegando a 895 em 2025.
+ Leia mais: 50 melhores álbuns brasileiros de 2026 (até junho), segundo a Billboard Brasil

Então o gráfico não mostra simplesmente uma reta descendente — mostra um pico gigante em 2022 e uma acomodação depois dele. E essa diferença importa, porque, enquanto a gente usar aquele pico como referência, o Brasil vai sempre parecer que está perdendo espaço.
E aí podemos pensar em outra pergunta agora: como transformar a descoberta internacional em audiência recorrente? A própria Chartmetric define o Brasil como um ecossistema musical autossustentável. A gente já sabe disso — a gente já consegue produzir artistas gigantes, sustentados principalmente pelo nosso próprio mercado, né? O brasileiro gosta de ouvir música brasileira.
O próximo desafio, então, é entender como cada uma dessas cenas atravessa a fronteira, porque o relatório mostra uma coisa interessante: não existe uma fórmula para internacionalizar a música brasileira. Forró, funk, hip-hop e outras cenas podem construir caminhos completamente diferentes.
A próxima década da música brasileira no mundo passa por isso: parar de procurar uma rota para o exterior e começar a entender todas as rotas que já existem.
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