Foo Fighters fecha a 6ª do Rock in Rio com show entrelaçado pelos fios do tempo
‘Obrigado por todos esses anos’: diz Dave Grohl após exibição irrepreensível

Foo Fighters encerra o primeiro dia de Rock in Rio 2026
Os fios do tempo se entrelaçaram, como mágica, no meio da apresentação do Foo Fighters, headliner da primeira noite do Rock in Rio 2026.
Antes de cantar “Marigold”, música gravada originalmente pelo Nirvana em 1993, como lado B do single “Heart-shaped Box”, Dave Grohl lembrou, carinhosamente, do seu ex-companheiro Kurt Cobain (1967-1994) e também da sua primeira passagem pelo Brasil, naquele mesmo ano, ainda como baterista da explosiva banda de Seattle, expoente máximo do som grunge.
“Essa é para os fãs hardcore do Nirvana”, declarou ele.
Muita água turbulenta passou por debaixo da ponte nesses 33 anos que separaram as duas apresentações.
O Nirvana implodiu em 1994, com a morte de Cobain, para tristeza dos fãs, hardcore ou não, do grupo em todo o mundo.
Após um período de luto, Grohl seguiu a máxima de que o show deve continuar, criando o Foo Fighters no ano seguinte, assumindo os vocais, a guitarra e a condição de virtual líder do novo grupo, de sonoridade mais acessível e radiofônica que seu trabalho anterior.
E, no show desta sexta-feira, Grohl resumiu um pouco dessa sua trajetória de superação – e, acima de tudo, de sucesso.
Aos 57 anos, ele comandou uma apresentação irrepreensível, com os mesmos níveis de energia que se tornaram uma marca registrada dos shows do Foo Fighters.
Foi a terceira passagem do grupo pelo festival, onde se apresentou também em 2001 e 2019. Naquele primeiro show, abrindo para o REM, o Foo Fighters estava promovendo seu terceiro álbum, “There Is Nothing Left to Lose”.
Um momento curioso – e inesquecível – daquela apresentação aconteceu quando Cássia Eller (1962-2001), que assistia à performance ao lado do palco, entrou em cena e abraçou Grohl, que faria aniversário no dia seguinte (14 de janeiro). Cássia morreria em dezembro daquele mesmo ano.
Em 2019, o Foo Fighters chegou ao Rock in Rio já na condição de headliner, apoiado em sucessos como “Pretender”, “My Hero” e “Best of You”.
O show – que incluiu a tradicional cover de “Under Pressure”, do Queen, comandada pelo baterista Taylor Hawkins (1972-2022) – teve outro momento inusitado, quando Grohl chamou um casal ao palco para um pedido de casamento em frente a 100 mil pessoas.
No show da última sexta, que promove o álbum “Your Favorite Toy”, Grohl lembrou de Hawkins, para quem foi dedicada a música “Aurora”.
“Façam muito barulho para Taylor”, pediu ele, emocionado.
Conduzido pela marcação do novo baterista, Ilan Rubin, o grupo – detentor de 15 Grammy Awards – fez uma maratona de duas horas, pontuada por hits como “Learn to Fly”, “One of These Days” e “All my Life”.
O final, apoteótico, foi ao som do hino “Everlong”, seguido pelo simbólico agradecimento de Grohl: “Obrigado por todos esses anos”.
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