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O que é um listening bar, conceito para fãs de música que conquistou o mundo
Espaços intimistas que apostam na reconexão profunda com vinis viraram febre

Um listening bar é um bar para escuta autenta de discos de vinil (Siborey Sean/Unsplash/Reprodução)
Num mundo em que, como lembra Emicida, “É Tudo Pra Ontem”, quanto valem quarenta minutinhos da sua ATENÇÃO?
Quarenta minutos é o tempo médio de duração de um disco de vinil, estrela absoluta dos listening bars (em português literal, bares de escuta ou de audição), febre analógica do momento que avança sobre as principais cidades do mundo e também já chegou ao Brasil – apenas entre Rio e São Paulo, surgiram cerca de 20 destes locais nos últimos anos.
Imagine só: em meio a toda onipresença, urgência e velocidade que o mundo exige de nós, ir a um lugar para fazer uma ÚNICA COISA (ouvir música) é como encontrar um oásis no deserto. Ou uma casa de chá japonesa, cristalina e elegante, onde podemos nos refugiar da exaustão da vida atual.
A analogia só vale porque foram mesmo as kissaten, intimistas casas de chá do Japão, que inspiraram a tradição das jazu kissa, cafés e bares em que discos de jazz e música clássica eram a atração principal, e não apenas música “de fundo”.
A mais antiga delas surgiu há exatos cem anos, em 1926, ainda está em atividade e sintetiza o que é um bar de audição: no Meikyoku Kissa Lion, em Shibuya, telefones são proibidos e a conversa, desencorajada.
Os clientes sussurram apenas o necessário para não perturbar o som ao redor, de altíssima fidelidade, reproduzido em um sistema analógico projetado para a apreciação completa da música. Os drinques e petiscos servidos harmonizam com a seleção que sai dos alto-falantes. Este é o espírito da coisa.
Quase todas as jazu kissa surgidas nos anos 1920 e 1930 no Japão viraram escombros durante a Segunda Guerra Mundial, mas ressurgiram com força nas décadas de 1950 e 1960.
Como importar discos dos Estados Unidos e da Europa era caro, estes locais onde se ouviam as últimas novidades e raridades importadas se tornaram ao mesmo tempo ponto de encontro e fonte de informação valiosa para músicos, pesquisadores e fãs de jazz.
Com o tempo, o conceito se ampliou, incorporou outros gêneros musicais e ganhou o mundo. Mas a explosão global dos últimos anos parece atender a um desejo do público de se reconectar à música de maneira mais profunda, longe do imediatismo sem curadoria dos streamings e do isolamento sensorial dos fones de ouvido.

Embora nenhum negue a influência japonesa, nem todos os listening bars que hoje brilham em cidades como Berlim, Seul, Nova York ou Paris seguem tão ao pé da letra a cartilha reverente dos jazu kissa.
Mas não espere encontrar neles o mesmo clima hedonista das pistas de dança.
Em todos, mesmo nos quais a conversa e a dança são bem aceitas e o ambiente não é tão, digamos, sofisticado, o que importa mesmo é a coleção de LPs, a curadoria dos DJs, a coquetelaria de alto nível, o cardápio cuidadosamente criado.
Os ambientes são relaxados, descontraídos e estimulam a escuta atenta, não uma explosão desnorteada de sentidos.
Listening bars se espalham por Rio e SP
Nos listening bars mais “ao pé da letra”, como o 111, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, ou o Domo, em São Paulo, isso fica bem evidente, com mesas e sofás que convidam os frequentadores à imersão musical completa.
A seleção musical é envolvente e o clima, intimista. As pessoas costumam ir sozinhas ou em pequenos grupos, atraídas pela programação musical e pela carta de drinques.
Há também espaços híbridos, como o Matiz Bar, na República, na capital paulista, que reserva sessões de audição para as terças-feiras e adota uma programação mais dançante no restante da semana.
Ou a Fatchia, pizza-disco-bar na Glória, no Rio, que também separa dias para a audição de discos específicos, e em outros mantém um espírito mais festivo.
Já o recém-aberto Frisson, em Botafogo, tem tudo ao mesmo tempo: lá, a boa é começar a noite curtindo uma fina seleção de discos com um som analógico de ponta enquanto toma drinks clássicos e depois, quando a noite evolui, a pistinha ganha espaço.
No fim das contas, não importa se o modelo do listening bar é mais ou menos apegado à tradição das jazu kissa.
O que todas essas casas parecem dizer, num tom envolvente e bem modulado é: pare, respire e se reequilibre.
Uma das explicações para o boom global destes locais é que a velocidade da vida contemporânea parece ter chegado a um estranho limite, e cada vez mais as pessoas desejam frear o ritmo imposto pelos algoritmos – ao menos por algumas horas.
E essa experiência também ganha espaço no Rock in Rio. O Itaú Personnalité apresenta o Listening Club, uma experiência que celebra a música por meio de uma curadoria especial de DJs, inspirada no line-up de cada dia do festival. Um encontro entre diferentes sons, artistas e referências para quem entende que música também é uma experiência para ser vivida, descoberta e compartilhada.
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