Rock in Rio: DJs do Listening Club Personnalité unem emoção e representatividade
Sets de Bibi Grácio, Gustavo Keno e Yasmin Lisboa têm Brasil, África e groove

Qual é a fórmula perfeita de um Listening Bar? Junte um ambiente aconchegante com um excelente sistema de som e acrescente o ingrediente mais importante: a curadoria musical. Por trás de cada espaço dedicado à escuta atenta, há um DJ construindo uma narrativa através de discos e músicas especiais. Entre as atrações que os clientes Itaú vão encontrar no Listening Club Personnalité no Rock in Rio, será possível conferir sets de alguns nomes de destaque da cultura do vinil.
A pesquisa como fio condutor de um bom set
Antes de a agulha encostar no disco, existe pesquisa, garimpo, memória, gosto pessoal e uma série de escolhas. Entre os nomes que comandarão as pickups do Listening Club Personnalité estarão Bibi Grácio, Gustavo Keno e Yasmin Lisboa, que, com suas discotecas, vão proporcionar escuta atenta, descobertas e muita música boa.
“Eu aprendi que a música é a protagonista soberana dos nossos sets. E, num espaço de listening bar, isso fica muito claro”, declara Yasmin Lisboa, DJ, jornalista e pesquisadora da música brasileira que percorre Brazilian boogie, house, disco e sonoridades nacionais. Para ela, o formato abre espaço para outro tipo de seleção: “O caminho da contemplação, da apreciação, é um caminho muito interessante também. Você entra numa outra dimensão, um espaço quase meditativo”.
Yasmin decidiu dialogar com o rock presente na programação do Rock in Rio no dia 4, mas olhando para o gênero a partir da produção nacional. “Eu quero dialogar com as linguagens do rock, mas também com a música brasileira.” A pesquisa passa por Rita Lee, Ney Matogrosso e Paralamas do Sucesso. “Já deixo aqui um disco que não pode faltar no meu set nessa noite: ‘Fruto Proibido’, da Rita. Para mim, é um dos maiores álbuns do rock brasileiro e estará lá prestando homenagem à maior artista de rock desse país.”
O historiador, pesquisador e seletor Gustavo Keno, dedicado às musicalidades afro-brasileiras e da diáspora africana e às histórias de discos esquecidos, é atração do Listening Club nos dias 6 e 13/9. Proprietário da Ilê Discos, ele formou parte do acervo em viagens de garimpo por lugares como Cuba, França, Itália, Eslovênia e Quirguistão.
Keno busca perceber como as sonoridades circulam e reaparecem em contextos distintos. “Às vezes, uma música gravada em determinado lugar encontra outra produzida a milhares de quilômetros de distância por alguma aproximação rítmica, estética ou mesmo histórica. São essas conexões, nem sempre evidentes à primeira escuta, que mais me interessam e que acabam guiando a construção do set.”
Para ele, tocar no Listening Club permite trabalhar com outro tempo e outras camadas da música. “Posso escolher uma faixa pela produção, por um arranjo incomum, por um instrumento que aparece durante poucos segundos ou simplesmente porque aquele disco merece ser ouvido por inteiro, sem a obrigação de provocar uma reação imediata.”
No set, Gustavo destaca “Lait de Coco”, de Maya, do boogie francês, e Bena Roberto, artista que considera pouco conhecido, de quem cita “Brincando de Amor” e “Cara Lavada”. “Amaria que as pessoas escutassem mais suas obras. Recuperar uma música não é simplesmente dizer que encontramos uma raridade. É tentar devolver algum contexto a ela.”
Pesquisadora ligada à black music, hip-hop, música brasileira e cultura do vinil, Bibi Grácio comanda as pickups no dia 13/9. Para ela, pensar um set para um listening bar é partir de um princípio simples: tocar com o coração.
“O conceito primário de um listening bar, sem a obrigação de fazer pista ou tocar só hits conhecidos, me traz maior liberdade para tocar minhas pesquisas mais profundas, músicas que eu amo e que nem sempre dá pra encaixar em uma pista de dança.”
Mas, dentro de um festival gigantesco, essa escuta ganha outra dinâmica. “Acredito que o set fica mais solto e não preso apenas ao conceito de ‘ouvir com calma’. Quero acompanhar o movimento do festival e do público. Hits clássicos e atemporais podem se unir às descobertas para criar uma atmosfera mais interessante e energética.”
A preparação também muda. “Sempre penso em criar algo que saborize com o espaço. Fico atenta aos volumes e aos ritmos para não serem agressivos. Não tenho pressa em mixar: deixo a faixa rolar, encaixo músicas mais ‘lado B’, não tão exploradas. É literalmente uma degustação.”
Para o Rock in Rio, Bibi segue uma linha groovada, passeando por clássicos do Brasil e do mundo. E já tem uma certeza: “Alguma do rei do groove brasileiro, Tim Maia! Ele atravessa gerações, todos o conhecem e balançam com suas músicas. Prestigiar o Tim é prestigiar a nossa música brasileira, uma das mais magníficas do mundo.”
Uma iniciativa para inclusão de mulheres na cultura do vinil
Bibi, Yasmin e Tha Redig também desenvolvem o coletivo Vitrola Aberta, voltado à inclusão de mulheres na cultura do vinil e à criação de caminhos para que DJs, colecionadoras e amantes da música se aproximem dos toca-discos e da discotecagem.
“O Vitrola Aberta nasceu através da nossa percepção e sede de ver mais mulheres — inclusive nós — ocupando os toca-discos, line-ups, com mais equidade e respeito. Vai muito além de uma pista de dança, é um balaio: conversas, momentos para entender e usar os toca-discos para discotecar, sempre oferecendo esse espaço de acolhimento, liberdade e conforto, mas abraçando a diversidade e a pluralidade também”, resume Bibi.
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