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Lola Young no Rock in Rio 2026 (Daniel Pinheiro/BrazilNews)

Lola Young no Rock in Rio 2026 (Daniel Pinheiro/BrazilNews)

Lola Young é maior que um hit, mas enfrenta missão difícil no Rock in Rio 2026

Britânica fez sua estreia no Brasil em apresentação marcada pela chuva

Lola Young chegou ao Rock in Rio 2026 neste domingo (13) com uma missão especialmente difícil.

Em sua primeira apresentação no Brasil, a britânica precisava se apresentar para um público que, em boa parte, a conheceu pelo fenômeno de “Messy”, enquanto enfrentava chuva e uma Cidade do Rock cheia de outras possibilidades de shows acontecendo ao mesmo tempo.

+ Leia mais: Joelma celebra raízes paraenses no Rock in Rio 2026

Se normalmente Lola aparece associada a uma estética propositalmente desarrumada e pouco preocupada com o visual polido de uma estrela pop, no Palco Mundo ela surgiu diferente.

De vestido preto elegante e unhas enormes, abriu a apresentação com “Wish You Were Dead”, sorridente, acompanhada por uma banda completa, com bateria, teclado, baixo e guitarra.

A mudança visual não significou abandonar a personalidade que ajudou a construir sua imagem. Bastaram algumas músicas para aparecer aquela combinação de vulnerabilidade, humor e uma energia quase caótica que atravessa seu trabalho.

O show alternou momentos mais contidos, nos quais sua voz ocupava praticamente todo o espaço, com outros em que Lola Young parecia disposta a extravasar junto com a banda.

“Big Brown Eyes” esteve entre as músicas que ajudaram a apresentar esse repertório a quem ainda não tinha mergulhado em sua discografia.

E essa talvez fosse a principal tarefa da cantora naquela noite: convencer uma plateia de festival de que existe uma artista muito maior por trás de um hit que explodiu nas redes sociais.

Lola parecia consciente de que estava diante de um público novo. Falou diversas vezes sobre a felicidade de finalmente estar no Brasil e se mostrou impressionada com a recepção.

“Eu estou muito feliz de estar aqui. Eu ouvi muitas coisas lindas deste país, e é verdade”, disse.

“Eu estava muito ansiosa para me apresentar aqui e ouvir os gritos dos brasileiros, que são os melhores do mundo. Vocês me provaram isso.”

Mas havia um adversário que nenhuma declaração conseguiria controlar: a própria dinâmica do festival.

A chuva, que já havia apertado durante a apresentação de Joelma no Palco Sunset, continuou interferindo na experiência.

Ao mesmo tempo, parte do público precisava decidir para onde seguir em uma programação particularmente competitiva.

Dennis começava seu show no Espaço Favela exatamente às 19h10, mesmo horário previsto para Lola Young no Mundo, enquanto Marina Sena se preparava para subir ao Sunset às 20h20.

É uma comparação complicada porque são propostas completamente diferentes.

Ainda assim, para uma artista britânica fazendo sua estreia no país e conhecida por grande parte do público brasileiro, principalmente por um hit viral, disputar atenção com nomes nacionais que já carregam uma relação consolidada com aquela plateia tornou o jogo consideravelmente mais difícil.

Isso ficou visível na circulação pela Cidade do Rock. Enquanto alguns permaneciam para descobrir o repertório de Lola Young, outros aproveitavam o intervalo para buscar apresentações mais festivas ou garantir lugar para os próximos shows.

Em vez de transformar isso em distância, a cantora comemorou a disposição da plateia em permanecer ali.

“Mesmo que vocês não conheçam todas as músicas, vocês estão curtindo, entendem? É por isso que eu amo!”, disse.

“Vocês estão tendo um ótimo momento mesmo com essa chuva. Eu te amo, Brasil.”

Se o tamanho do Palco Mundo às vezes jogou contra a intimidade das músicas, houve momentos em que justamente essa fragilidade tomou conta do espaço.

“Spiders” foi o mais evidente deles. Lola chorou durante a apresentação e deixou de lado por alguns minutos a figura sorridente que havia entrado no palco. Com menos necessidade de conquistar a multidão pela energia, a força estava simplesmente em ouvi-la cantar.

É nesses momentos que fica mais fácil entender por que reduzir Lola Young a “Messy” seria um erro.

A voz rouca, as mudanças de intensidade e a maneira quase confessional com que interpreta suas músicas sustentam um repertório que não depende necessariamente da lógica imediata de um viral.

Ao mesmo tempo, o Rock in Rio mostrou que ter repertório para um grande palco não significa necessariamente que aquele seja o melhor espaço para apresentá-lo.

Talvez Lola encontrasse no Palco Sunset uma configuração mais favorável para sua estreia.

Um palco secundário poderia aproximar público e cantora, preservar melhor a intimidade das faixas mais vulneráveis e permitir que sua energia caótica crescesse ao longo da apresentação, em vez de exigir que ela ocupasse imediatamente a dimensão gigantesca do Palco Mundo.

Escute os sucessos de Lola Young