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Será que a trend dos remixes de rap voltará o gênero às paradas?

The Game e Meek Mill remixaram seus próprios hits. Será que mudou algo?

Remixes de rap (Reprodução)

Illustration by Kensuke Koike (JONATHAN MANNION)

Quando The Game decidiu que queria remixar seu hit de rap de 2005, “Hate It or Love It”. “Todo mundo disse que eu estava maluco”, diz ele. “Eles falaram: ‘Isso é um clássico, você não deveria encostar nisso. Como você vai fazer isso ser melhor?’ E eu pensei para mim mesmo: ‘Eu amo desafios, como vou fazer isso ser melhor?’”.

Sem o colaborador original 50 Cent no gancho — o que, duas décadas atrás, ajudou a música a atingir o No. 2 no Billboard Hot 100 — The Game trouxe Snoop Dogg na faixa, ajudando o rapper a escrever um verso que resgata seu flow icônico de “Nuthin’ but a ‘G’ Thang”, clássico de G-funk de Dr. Dre, lançado em 1992.

Tanto Game quanto Snoop fizeram referências à versão original de “Hate It or Love It”, enquanto saudavam lendas da costa oeste, incluindo Nipsey Hussle, 2Pac e Ice Cube. Um sample de de “What You Won’t Do for Love”, hit de Bobby Caldwell de 1978 — não presente na faixa de 2005 — completa a nova versão.

The Game assumiu que “Love It or Hate It” serviria como divulgação para o lançamento de seu álbum de estúdio “The Documentary III” em agosto — e conectaria o projeto e seu disco de estreia “The Documentary”, que contou com “Hate It or Love It” e garantiu seu lugar como destaque do hip-hop da costa oeste.

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“Sabia que para meus fãs mais fiéis, conseguir voltar no tempo de uma forma tão nostálgica bem cedo no álbum marcaria a experiência para o ouvinte e faria seus ouvidos entenderem que esse álbum também seria um clássico”, ele diz. “Então, quando você ouve essa música, você acha que está ouvindo ‘Hate It or Love It’, porque está acostumado, mas você não está. Sou só eu brincando com as mentes dos meus fãs e até com a minha”.

“Love It or Hate It” foi parte de um trio de remixes de rap que saíram nos últimos meses, e todos reanimaram hits anteriores. Meek Mill relembrou o seu sucesso motivacional “Dreams and Nightmares”, criando o novo “Nightmares to Dreams”, e DJ Shadow e Run The Jewels celebraram 10 anos de sua colaboração em “Nobody Speak” com “Nobody Speak Port 2”, com os rappers Denzel Curry e TiaCorine.

Será que os remixes de rap funcionarão?

Renovar sonoridades e faixas conhecidas sempre foi parte do hip-hop. Nas lançou uma sequência de “N.Y.State of Mind” (“N.Y.State of Mind Pt. II”) cinco anos após lançar o clássico “Illmatic” (a faixa repaginada apareceu em seu álbum de 1999 “I Am…”), e, mais recentemente, Lil Uzi Vert lançou “P2”, uma sequência do seu hit de 2017 “XO Tour Llif3”, que chegou três anos após a original e usou a mesma melodia hipnótica e produção de TM88. (“P2”, que estava no álbum “Eternal Atake”, de 2020, chegou à posição 11 da Hot 100).

Retrabalhar hits do catálogo do passado — mesmo que por outros artistas — foi, previamente, provado ser uma fórmula para sucesso nas paradas, levando em conta como TikTok e as redes sociais mudaram os métodos de consumo tradicional de música. Considere como “Creep” de Metro Booming, The Weeknd e 21 Savage, retrabalhou “I Don’t Wanna Know”, de Mario Winans, e conseguiu uma posição no top 5 do Hot 100, quase duas décadas depois da original.

Com a escassez do gênero nos charts de 2026 — Drake sendo o único rapper a ter um hit no top 10 do Hot 100 como artista principal —, mudar um hit do passado parece ser um remédio fácil. E considerando a falta de estrelas novas no mainstream — tirando Doechii e Don Toliver, outros talentos ainda têm que se destacar comercialmente —, os veteranos do hip-hop têm um caminho aberto para conseguir hits genuínos.

Mas, entre The Game, Meek Mill e DJ Shadow, só “Nightmares to Dreams”, de Meek, conseguiu atingir o Hot 100, chegando ao 82, antes de cair das paradas em uma semana. Esses remixes falharam em gerar um buzz constante num clima do mainstream que não é muito hospitaleiro ao hip-hop, como foi no passado. The Game diz que o problema é que há uma desconexão moderna de sua geração do rap, na qual titãs rimavam em colaborações e remixes eram comuns.

Mas uma conversa com 310babii deu-lhe um pouco de esperança. O rapper em ascensão na costa oeste o chamou para pedir conselhos em melhorar sua música — a primeira vez que um novato o chamou pessoalmente, diz The Game.

Enquanto os dois ainda não disseram que planejam trabalhar juntos, colaborações transgeracionais sempre foram algo benéfico para veteranos e novatos em diferentes gêneros e eras, desde Jay-Z apoiando Drake em 2009, a Tyler, The Creator aparecendo na faixa “Look Like My Mama” de AZ Chike, nesse ano.

Então, enquanto remixar o seu próprio trabalho passado pode ser algo legal para fãs sérios, colaborações entre titãs do gênero e novatos podem ser a real chave de conseguir retornar o rap à conversa e aos charts. “Todo mundo é tão egoísta e sobre si mesmo, quando devia ser sobre nós”, diz The Game. “E os fãs sabem a diferença”.