
Sepultura durante show no Rock in Rio 2026 (Roberto Filho/Brazil News)
Entrevista: Sepultura se despede do Rock in Rio com show da era Derrick Green
Andreas Kisser detalha à Billboard Brasil apresentação inédita e avalia legado
Em 1985, Andreas Kisser estava no público do Rock in Rio. Foi ao festival para ver o dia dedicado ao heavy metal, com nomes como Ozzy Osbourne, Scorpions, Whitesnake e AC/DC. Seis anos depois, já como guitarrista do Sepultura, estava do outro lado: no palco do Maracanã, na estreia da banda no evento.
Neste sábado (5), a relação que atravessou mais de três décadas chega ao último capítulo. Antes de subir ao Palco Mundo, Andreas contou à Billboard Brasil demonstrou gratidão por fazer parte da história do festival.
“São shows exclusivos, que praticamente não aconteceram em nenhum outro lugar”, resume Andreas. “É um ano de despedida e estou muito feliz de ter essa oportunidade de agradecer ao pessoal do Rock in Rio e aos fãs. Tem muita gente que nunca viu o Sepultura, que talvez esteja vindo pela primeira vez. É sempre um momento especial.”
A participação de 2026 é a oitava edição brasileira do Rock in Rio com o Sepultura. Como a banda realizou dois shows em 2013, porém, esta é sua nona apresentação no festival no país. A trajetória começou em 1991, no Maracanã. Andreas lembra que aquela apresentação aconteceu antes mesmo do lançamento de “Arise”, terceiro álbum da banda, e marcou a primeira execução ao vivo de “Orgasmatron”, cover do Motörhead que se tornaria parte recorrente do repertório.
Do Maracanã à despedida do Rock in Rio

Depois vieram apresentações em diferentes formatos. O Sepultura dividiu o palco com o grupo francês de percussão Les Tambours du Bronx e, em 2013, protagonizou também o encontro com Zé Ramalho no Palco Sunset. Em 2017, tocou com a Família Lima; em 2022, abriu o Palco Mundo ao lado da Orquestra Sinfônica Brasileira. A banda também passou por edições internacionais do Rock in Rio, como Lisboa e Las Vegas.
O Rock in Rio é o penúltimo show do Sepultura no Brasil. A apresentação final da banda está marcada para 7 de novembro, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. Antes disso, a agenda oficial ainda prevê compromissos fora do país, entre eles apresentações no Marrocos, Uruguai, Argentina, Chile e México.
A despedida faz parte da turnê “Celebrating Life Through Death”, anunciada originalmente como uma celebração dos 40 anos do grupo. O Sepultura decidiu encerrar as atividades de forma planejada depois de levar sua música a dezenas de países ao longo de mais de quatro décadas.
Andreas Kisser vê metal mais inclusivo
Para Andreas, a transformação vivida pelo heavy metal durante esse período não aconteceu apenas na sonoridade. O guitarrista do Sepultura aponta o aumento da presença feminina e de diferentes grupos dentro da cena como uma das principais mudanças em relação ao ambiente encontrado pelo Sepultura no começo da carreira.
“A cena é sensacional. É uma cena mais democrática, inclusiva. Você vê a representatividade em todos os aspectos, a participação das mulheres com bandas protagonistas, principalmente aqui no Brasil”, afirma, citando grupos como Nervosa, Crypta e Torture Squad.
O músico também menciona Derrick Green, que se tornou o vocalista do Sepultura em um período em que, segundo ele, um homem negro à frente de uma banda brasileira de metal ainda contrariava parte das expectativas de público e mercado.
“O heavy metal quebra isso. O heavy metal é união. É um estilo que está no mundo inteiro. O Sepultura já foi para mais de 80 países. Independentemente de religião ou política, o heavy metal está lá.”
A expansão internacional da banda, para Andreas, passa justamente pela decisão de não tentar apagar sua origem. O uso de ritmos e instrumentos de percussão brasileiros tornou-se uma das marcas do Sepultura e ganhou peso especialmente a partir de discos como “Chaos A.D.” e “Roots”. A combinação ajudou a projetar o grupo internacionalmente e se tornou uma referência para bandas que vieram depois.
“A nossa contribuição foi fazer a nossa arte, colocar o Brasil no mapa de uma forma diferente, utilizar a percussão de uma forma diferente, mais pesada, que outras pessoas não tinham percebido”, diz Andreas.
Para ele, esse talvez seja o principal legado que fica após a despedida.
“É abrir possibilidades. Não importa de onde você vem no mundo, tudo é possível se você faz a coisa com carinho, amor e dedicação, se prepara, estuda e está aberto às possibilidades e às mudanças. O Sepultura passou por tudo isso nesses 40 anos. E por isso estamos no nosso melhor momento.”
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