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Venda de CD cresce quase 60% nos EUA e surpreende a indústria em 2026

CDs crescem mais rápido que o vinil nos Estados Unidos neste ano

CD (Pexels)

CD (Pexels)

Quem diria que o CD voltaria com tudo? Nos Estados Unidos, a receita gerada pela venda de CD cresceu quase 60% no primeiro semestre de 2026. O número aparece em um relatório divulgado pela Recording Industry Association Of America (RIAA) e reforça algo que já vinha sendo percebido ao longo do ano: o CD está longe de ser um formato ultrapassado.

Conforme o levantamento, o faturamento com CD somou US$ 171 milhões (aproximadamente R$ 882 milhões) entre janeiro e junho. Um ano antes, no mesmo período, esse valor girava em torno de US$ 108 milhões (aproximadamente R$ 557 milhões). Trata-se do maior aumento percentual entre todas as categorias destacadas no semestre pela RIAA.

Esse crescimento não veio do nada. Meses atrás, a Luminate já havia divulgado que a venda de CD tinha subido 16% nos Estados Unidos na primeira metade de 2026, somando 16,3 milhões de unidades vendidas pelo país.

A retomada do físico também é marcada pelo vinil, que segue em alta, embora em ritmo mais lento: as vendas do formato cresceram 2,4% na comparação com o ano anterior. No entanto, em volume, o vinil ainda é o preferido do público, com US$ 554 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões) arrecadados no semestre. Só que, olhando para a velocidade do crescimento, quem se destacou foi o CD: enquanto a receita com vinil avançou 17,7%, a do CD quase triplicou esse ritmo. Juntando os dois formatos, o mercado físico da música cresceu 25,9% no período.

O que explica o destaque do CD?

A disparada do CD pode ser explicada por dois fatores, segundo a Luminate: o gosto por montar coleções físicas e o preço mais em conta do formato, se comparado a outras opções do mercado.

Além disso, há um calendário forte de lançamentos de K-pop, com destaque para o retorno do BTS, que emplacou o álbum “ARIRANG”. Ainda assim, o efeito K-pop não explica tudo: tirando essas vendas da conta, o CD nos Estados Unidos teria crescido 6,7% de qualquer forma, na comparação com o primeiro semestre de 2025.

+Leia também: CD em alta? K-pop, preço e comportamento da gen z justificam a volta

Ouça ‘ARIRANG’, do BTS

Um detalhe importante: os números da RIAA e da Luminate não medem exatamente a mesma coisa. A RIAA trabalha com a receita no atacado, já com as devoluções descontadas. Já a Luminate olha para o que de fato chega às mãos do consumidor final.

Apesar da força do físico, o streaming não perdeu espaço, muito pelo contrário. Nos Estados Unidos, os streams de áudio sob demanda somaram 732,7 bilhões de reproduções no semestre, alta de 4,8%. No cenário global, o avanço foi ainda maior: 9,8%, totalizando 2,8 trilhões de streams.

O fenômeno do vinil também tem seus capítulos por fora dos Estados Unidos. No Reino Unido, o álbum mais vendido no formato em 2026 até agora é “Kiss All The Time. Disco, Occasionally”, de Harry Styles, com 69 mil cópias comercializadas até meados de abril. Completam a lista “The Art Of Loving”, de Olivia Dean, “The Mountain”, do Gorillaz, o disco beneficente “Help(2)”, do War Child, e o clássico “Rumours”, do Fleetwood Mac.

Ouça ‘Kiss All The Time. Disco, Occasionally’, de Harry Styles