Avenged Sevenfold estreia novo universo visual no Rock in Rio; saiba mais
See You Later comenta em entrevista os detalhes da estreia mundial do novo show

Avenged Sevenfold (@sarahdope)
O Avenged Sevenfold chega neste sábado (5) ao Rock in Rio para estrear, no Palco Mundo, uma identidade visual completamente nova, criada pelo estúdio criativo norte-americano See You Later, responsável pela direção criativa e pela animação do show, com design de palco assinado por Jordan Coopersmith. A banda, que nunca se prendeu a um único rótulo dentro do metal, encontrou nesse novo conceito visual um espelho direto dessa singularidade: um universo construído sobre a contenção, e não sobre o volume.
A apresentação é estruturada em três “atos arquitetônicos”, cada um representando um estado emocional distinto. O show abre com o Monólito, uma estrutura rígida e imponente; no segundo ato, essa estrutura se fragmenta, revelando um mundo interno de formas turbulentas; e, no terceiro, o que resta se dissolve no imaterial e no infinito, em um desfecho descrito como mais sensorial do que visual. Toda a narrativa é contada exclusivamente por meio de imagem e luz, com o conteúdo desenvolvido lado a lado com a arquitetura automatizada de LED do palco, permitindo que cada elemento seja construído e desmontado ao vivo, em tempo real, acompanhando a música.
A See You Later é conhecida por assinar esse tipo de abordagem, favorecendo a evocação em vez da explicação em trabalhos anteriores com artistas como Bad Bunny, Missy Elliott, Travis Scott, Sabrina Carpenter, Jolin Tsai e Arashi. O estúdio conversou com a Billboard Brasil para detalhar o processo criativo por trás do projeto para o Avenged Sevenfold.

Billboard Brasil: O Rock in Rio apresenta neste ano um Palco Mundo redesenhado, com uma quantidade inédita de telas de LED. Como a nova arquitetura e a escala do palco influenciaram o design visual para o Avenged Sevenfold? E o público diverso do festival, de fãs antigos a quem talvez esteja conhecendo a banda agora, influenciou a abordagem criativa de alguma forma?
See You Later: A escala do Palco Mundo nos dá a oportunidade de reforçar uma ideia que já era central no show: tratar as telas como arquitetura, e não apenas como superfícies para conteúdo. Com aquela quantidade de LED, o instinto poderia ser preencher tudo. Nós nos interessamos justamente pelo oposto, usando espaço negativo, escala e mudanças muito deliberadas para que o palco continue parecendo uma estrutura única.
Para o Rock in Rio, queríamos preservar a linguagem visual da turnê permitindo que ela existisse em uma escala muito maior. A arquitetura precisava continuar legível de muito longe, então alguns dos gestos mais simples se tornam os mais poderosos.
O público brasileiro definitivamente acrescenta outra dimensão. Vai haver gente que entende cada referência e gente que está conhecendo o Avenged pela primeira vez. Não quisemos projetar de forma diferente para nenhum dos dois grupos. O objetivo era tornar o universo forte o suficiente para que você não precise de conhecimento prévio para entender aquela sensação. Você consegue entrar nela imediatamente.
Como foi a primeira conversa entre a banda e a See You Later? O que eles pediram, e o que queriam comunicar com o novo show?
A direção inicial da banda foi muito intencional: criar algo poderoso através da contenção, e não do excesso.
As conversas foram menos sobre referências visuais específicas e mais sobre estabelecer uma sensação e um clima: espaço negativo, contraste, escala, escuridão e liberação. Eles queriam que o show parecesse um capítulo totalmente novo, e não uma extensão do que já existia.
Isso nos deu espaço para pensar no palco como um ambiente que poderia evoluir ao longo do set. A luz se tornou escultural, o vídeo se tornou uma extensão da arquitetura, e toda a produção pôde caminhar de algo rígido e monumental para algo cada vez mais abstrato e atmosférico.
A produção é dividida em três “atos arquitetônicos”: o Monólito, sua fragmentação e, por fim, sua dissolução no imaterial. De onde veio esse conceito, e como vocês traduziram diferentes momentos e emoções da música em imagens e estruturas?
Os três atos surgiram da vontade de dar ao show uma progressão emocional e estrutural sem forçar uma narrativa literal sobre a música.
Ele começa com o Monólito: algo rígido, físico e contido. Depois, essa estrutura começa a se desestabilizar e se fragmentar. No ato final, a arquitetura essencialmente se dissolve, e o que resta é mais atmosférico, aberto e imaterial.
Emocionalmente, o show vai da compressão para a ruptura e, então, para a liberação. Essa estrutura nos deu um framework para responder a momentos muito diferentes do set, mantendo, ao mesmo tempo, a sensação de que tudo faz parte de um único universo. Uma música não precisava ilustrar sua letra de forma literal; ela podia representar outro estágio na transformação daquele universo.
Vocês descrevem as telas como arquitetura, e não simplesmente como pano de fundo em vídeo. O que muda criativamente quando os LEDs passam a fazer parte da estrutura física do palco? Quais foram os maiores desafios para fazer estrutura física e conteúdo visual funcionarem como um único sistema?
Quando você para de pensar no LED como uma tela, as possibilidades criativas mudam completamente. Ele se torna uma parede, um vazio, uma fonte de luz, um volume, ou algo que parece ter profundidade além de sua superfície física.
Isso foi importante para o Avenged Sevenfold porque não queríamos que o conteúdo parecesse colocado sobre o palco. Queríamos que ele parecesse estar acontecendo dentro da mesma arquitetura.
O desafio é que os mundos físico e digital precisam obedecer à mesma lógica espacial. Boa parte do conteúdo foi desenvolvida com perspectiva tridimensional, para que profundidade, escala e movimento se relacionassem de forma convincente com o próprio palco. Quando tudo se alinha, você para de pensar onde termina a estrutura física e começa a imagem. Tudo se lê como um único ambiente.
O show será transmitido ao vivo, então muita gente vai acompanhar pela televisão, e não pessoalmente no Rock in Rio. Como vocês imaginam que esse universo visual vai se traduzir para quem está assistindo de casa? A transmissão influenciou decisões de design, iluminação ou composição?
O show sempre foi pensado para o público presente e, inevitavelmente, ganha outra vida através das câmeras.
O que funciona a 100 metros de distância e o que funciona em um close são coisas muito diferentes, então pensamos no show em múltiplas escalas. Existem grandes composições arquitetônicas que estabelecem o universo nos planos abertos, mas também contenção suficiente para que o artista continue sendo o foco quando a câmera se aproxima.
De certa forma, a simplicidade ajuda na transmissão. Silhuetas fortes, espaço negativo, cor controlada e gestos arquitetônicos claros se traduzem muito naturalmente para o quadro. Não queremos que cada ângulo de câmera compita com o artista. O ambiente deve dar à transmissão uma linguagem visual sem ditar cada plano.
A See You Later já trabalhou com artistas de universos muito diferentes, incluindo Bad Bunny, Sabrina Carpenter, Missy Elliott e Travis Scott. O que o trabalho com o Avenged Sevenfold trouxe de diferente para o processo criativo, em relação a esses projetos anteriores?
Para nós, o processo sempre começa pelo artista, e não pelo gênero. Cada artista tem uma relação diferente com sua música, sua história e seu público, então nosso trabalho é encontrar a linguagem visual que soa nativa daquele universo.
O que foi particularmente interessante com o A7X é que há uma intensidade enorme na música, mas isso não significava que a produção precisasse ser visualmente barulhenta o tempo todo. Na verdade, isso nos deu permissão para sermos extremamente contidos.
Essa tensão se tornou uma das partes mais interessantes do projeto, permitindo que a escuridão, o vazio ou um único gesto arquitetônico carregassem tanto peso quanto um grande momento visual. Passamos a nos interessar por tomar menos decisões, mas com mais precisão. Aí, quando a estrutura se fragmenta, o palco fica vermelho, ou o universo finalmente se abre em cores plenas, a mudança realmente significa alguma coisa.
Ouça os maiores sucessos do Avenged Sevenfold
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