
Léa Penteado e Roberto Medina no Rock in Rio (Arquivo Pessoal)
Como Léa Penteado acreditou no sucessso de um festival. E acertou
A jornalista foi a primeira a apostar no sonho 'maluco' de Roberto Medina
Na mitologia grega, as pitonisas eram sacerdotisas do deus Apolo (Billboard Brasil também é história, estão pensando o quê?) que tinham o poder de prever o futuro. Dizia-se que elas sentavam numa cadeira, entravam em transe e faziam suas profecias. A mineira de nascimento Léa Penteado – e carioca de adoção, mas atualmente tão baiana quanto Dorival Caymmi – provavelmente nunca teve contato com o deus grego.
Mas, tal e qual uma profetisa dos tempos antigos, acreditou na ideia de um certo Roberto Medina. Recém-chegada de Nova York, ela era repórter de entretenimento do jornal carioca O Globo e acreditou na ideia do empresário de criar um megafestival de música, que traria algumas das maiores atrações do showbiz.
“Falaram que o Medina estava dando entrevista para falar sobre um festival que ele ia fazer, que era maluco e não sei o quê”, recorda ela, em entrevista à Billboard Brasil. “Como eu havia morado nos Estados Unidos, aquilo fazia sentido”, conta.
E como fez sentido. Em agosto de 1984, a jornalista publicou uma matéria sobre o sonho do empresário – ganhou duas colunas para um artigo que ela sabia que daria capa (não falamos dos poderes da pitonisa? Pois é). Ela acabou virando setorista do festival no O Globo e era municiada das novidades do evento pelo próprio Medina.
“Roberto me ligava e dizia: ‘olha, hoje está chegando o empresário do Queen’”, lembra. Só quando a Billboard americana publicou uma reportagem a respeito do festival foi que a imprensa local finalmente se deu conta da grandiosidade do evento.
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“Naquela altura, a pessoa que mais entendia de Rock in Rio era eu: sabia quantos quilômetros, quantos metros quadrados de grama, as luminárias, os postes de luz, bailarinas, quantos fios, quantos caminhões de terra… Eu sabia tudo”, jacta-se.
O jornal acabou montando uma pequena redação do evento atrás do palco e publicou um tabloide – do qual ela fazia parte, claro – e Medina deu uma entrevista exclusiva para a única pessoa da imprensa que tinha acreditado no projeto. A jornalista, enfim, ganhou sua merecida capa de O Globo. No final do festival, o empresário disse para Léa: “No próximo, quero você direto comigo”, profetizou Roberto Medina, que também dá suas “pitonisadas”.

Léa Penteado foi, de fato, a primeira assessora de imprensa do Rock in Rio, ainda que tenha encarado essa função somente na edição de 1991. O que não foi uma das tarefas mais fáceis: em 1990, por exemplo, Medina sofreu um sequestro e coube à jornalista passar as informações para a imprensa.
Nesse período, ela chegou a presenciar o poder sobrenatural do escritor Paulo Coelho – os dois chegaram a “desaparecer” no meio de uma multidão de repórteres ávidos pelo principal furo do dia.
O trabalho de Léa no Rock in Rio chegou a incluir treinamento de voluntários e uma sala de imprensa – algo raro naqueles tempos. E, de um modo ou de outro, a jornalista ajudou nas edições posteriores do festival: a edição de 2001 e a de 2004, em Lisboa.
No mesmo ano da aventura lusitana, Léa mudou-se para Santo André, na Bahia, onde tem uma charmosa pousada. Mas, de tempos em tempos, o jornalismo fala mais alto. Nesta edição do Rock in Rio, ela inevitavelmente está presente para consagrar o projeto. Afinal, faz parte da missão das pitonisas.
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