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Os Garotin veem sonho de infância virar realidade no Rock in Rio

Trio se apresenta ao lado de Duquesa nesta sexta (11) no Palco Sunset

Os Garotin (Reprodução/ @OsGarotin)

Os Garotin (reprodução @OsGarotin)

Os Garotin vivem a véspera de um dos maiores momentos da carreira. Nesta sexta-feira (11), o trio de São Gonçalo sobe ao Palco Sunset do Rock in Rio para uma apresentação ao lado da rapper baiana Duquesa, unindo dois nomes que representam gerações diferentes da nova música brasileira.

Em entrevista à Billboard Brasil, Cupertino, Léo Guima e Anchietx, integrantes de Os Garotin, falaram sobre a expectativa para o show, a relação do grupo com o Rio de Janeiro, a parceria com Duquesa e o que significa representar São Gonçalo em um dos palcos mais disputados do festival.

Um sonho de infância dos Garotin

Vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa em 2024, com “Os Garotin de São Gonçalo”, o trio chega ao festival logo após lançar o segundo álbum da carreira, “Força da Juventude”. Para Léo Guima, o convite para o Rock in Rio representa a realização de um sonho de infância.

“O Rock in Rio sempre foi um lugar que, desde criança, eu ficava esperando acontecer, pra ver minhas bandas favoritas tocarem”, contou o cantor. “Ficava imaginando como devia ser tocar pra 100 mil pessoas. Nem sei quantas pessoas vão estar no nosso show, mas sempre pensei nisso. Era um sonho tão distante que parece loucura pensar nisso agora. A gente não pode normalizar isso. É uma vitrine incrível, e estamos muito orgulhosos de poder tocar nesse festival.”

Cupertino lembrou até de uma apresentação histórica do festival para falar do peso simbólico do convite. “Esses dias eu estava vendo o show do Barão Vermelho, com o Cazuza cantando no Rock in Rio. Foi uma noite muito especial, ele cantou ‘Pro Dia Nascer Feliz’, num momento político muito importante”, disse.

“A gente tem três anos de banda e sabe como é difícil pisar no palco do Rock in Rio. Eles darem essa moral pra gente logo no início da carreira é muito importante.” Os Garotin já haviam passado pelo festival em 2024, num show ao lado de Liniker, logo após a apresentação de Ed Sheeran, mas em um palco menor. “Agora Os Garotin vão tocar no palco Sunset mesmo, com uma banda enorme. Nunca tocamos com uma formação tão grande assim, vai ser gigante. Preparamos o maior show da nossa vida pra esse momento”, afirmou.

Os Garotin levam São Gonçalo ao palco principal

A origem dos Garotin na Baixada Fluminense é tema recorrente na conversa. Anchietx lembrou como o festival parecia distante da realidade dele na adolescência. “É um pouco chocante, porque o que o Léo falou a gente sempre viu muito distante da nossa realidade”, disse. “Na minha adolescência, eu via um amigo ou dois falando ‘ano que vem tem Rock in Rio, já estou me planejando pra ir’, e eu pensava: realmente cresci enxergando aquilo como uma coisa difícil de acessar, quanto mais tocar nesse palco. Acho que nunca veio na minha cabeça qual caminho eu precisaria trilhar pra chegar lá.” Cupertino resumiu em uma frase: “É difícil até de ir assistir. Imagina tocar.”

Léo Guima explicou que morar em São Gonçalo, e não no Rio de Janeiro, também significou ficar de fora de vivências consideradas comuns na capital. “A gente nunca conseguiu nem assistir, porque morávamos em São Gonçalo e deixamos de fazer muitas coisas que aconteciam aqui no Rio”, disse. “Não tinha o costume de fazer coisas que no Rio eram normais, como ir ao Maracanã, só fui lá já mais velho. Você acaba perdendo muita coisa por estar longe, e essa distância também vira uma coisa psicológica: as oportunidades parecem longe, os lugares legais pra ir parecem longe, e você acaba achando que aquilo não é pra você.”

Cupertino usou a imagem da ponte que liga os dois municípios para descrever essa sensação. “A ponte que separa São Gonçalo do Rio de Janeiro, pra quem é de lá e está no começo, parece imensa, gigante”, afirmou. “Quando você atravessa a ponte, parece que surge um complexo de vira-lata: ‘eu não sou daqui do Rio de Janeiro, sou de São Gonçalo, é outra coisa.’ As pessoas falam que a gente é carioca, mas, na real, a gente é são-gonçalense. Carioca é quem é da capital. A cultura é parecida, mas tem um jeitinho diferente.” Léo Guima completou: “Tem um jeito de falar também.”

No Palco Sunset, o show de Os Garotin com Duquesa antecede as apresentações de PJ Morton e Jamiroquai. “É um palco muito forte no festival”, disse Cupertino. “Claro que a gente sempre quer espaços maiores pra nossa música, seria maravilhoso. Temos o sonho de um dia tocar no Palco Mundo e em festivais fora do país. Mas já é gigante tocar no Sunset.”

Duquesa e a Bahia no coração

A escolha de Duquesa para dividir o palco com Os Garotin tem raízes na trajetória do grupo. Anchietx explicou que a rapper baiana representa um momento de carreira parecido ao vivido pela banda. “A gente sempre dialogou com o rap”, disse. “Nosso primeiro disco tem muito rap, o segundo tem BK e 2ZDinizz, e a Duquesa hoje é uma das maiores referências da cena. A gente gosta muito de trazer artistas que estão no mesmo momento de carreira que a gente, alcançando novos lugares. Não levamos nem cinco minutos pra pensar nela: tinha que ser ela.”

Cupertino lembrou ainda que a ligação do grupo com a Bahia é antiga. “A gente tem uma relação muito forte com a Bahia. O Caetano abençoa a gente também. É maravilhoso estar com a galera de lá. A gente ama muito a Bahia”, afirmou.

Juventude sem idade

“Força da Juventude” propõe que juventude não é uma questão de idade, e o trio espera ver essa mistura de gerações também na plateia do Rock in Rio. “Acho que o nosso público representa exatamente isso, e também representa a nossa chegada”, disse Anchietx.

“A juventude tem o papel de renovar a forma de consumir e de admirar, e a gente não perde isso nunca. Você vê criança e idoso na mesma energia, na mesma vontade.” Cupertino completou: “Existem jovens em todas as gerações. Esse álbum fala sobre isso, e é muito legal saber que no dia do nosso show vão ter muitas gerações diferentes. A música é um encontro, ela possibilita encontros mágicos.”

Um dos exemplos citados pelo trio é justamente um dos convidados do novo álbum, o cantor pernambucano Lenine. “Eu vejo muita magia numa pessoa que já tem o dobro da minha idade e continua jovem: o Lenine, que participou do nosso álbum e já cantou muito no Rock in Rio, tem uma juventude muito forte nele”, disse Cupertino. “Imagina trabalhar esse tempo todo e continuar compondo, lançando álbuns, vivo pra isso. E ele ainda faz tudo com os filhos, produz com eles, tudo em casa, em família. O Lenine, com a esposa dele, é incrível. É um cara muito iluminado, virou uma das maiores referências pra nós.”

O grupo lembrou ainda de uma homenagem que fez ao cantor durante o Carnaval, em Recife. “A gente cantou com ele no Carnaval, homenageando-o. Foi incrível, no Marco Zero foi surreal. O Lenine é um deus pra gente”, contou Cupertino.

Arte como resistência

O lançamento de “Força da Juventude” veio acompanhado de uma exposição de artes visuais assinada por doze artistas de diferentes regiões do Brasil. Para Cupertino, apostar numa experiência mais ampla, num momento de consumo rápido, é também um gesto de resistência dos Garotin.

“No meio de tanta informação, a gente tem muita coisa boa com a internet, muitas possibilidades, acelera muita coisa, mas para a arte acho que também traz contras, no sentido da inspiração, porque o tédio e a falta de informação colaboram muito para a criatividade”, disse. “Hoje você lança um álbum, a pessoa está ouvindo no celular, chega uma mensagem enquanto ela ouve a música, ela clica na mensagem e esquece da música. A gente quer colaborar pra isso não acontecer, quer reviver nas pessoas a sensação de consumir uma coisa só, de parar, de escolher. Acho que a palavra principal da nossa geração, no meio de tanta coisa, é curadoria, poder fazer boas escolhas.” Ele resumiu a ideia por trás do projeto: “A arte cura, a arte é a salvação no meio de tanta informação.”

Depois do Rock in Rio, Os Garotin vão a Europa

Logo após o show no Rio, Os Garotin embarca para a primeira turnê europeia da carreira, com shows na Holanda, em Portugal e na França. “É a nossa primeira vez na Europa”, disse Anchietx. “A gente ama moda, e lá é o celeiro da moda. São muitas coisas passando pela nossa cabeça, principalmente uma que nos inspira muito: poder levar a nossa brasilidade pra outro lugar. Isso dá ainda mais vontade de fazer as coisas com fervor, porque quem não é brasileiro se encanta com a nossa brasilidade, e o brasileiro que está lá sente muita saudade”, fala sobre Os Garotin.

Cupertino contou que a proximidade entre os dois compromissos tem um peso simbólico para o grupo. “Tem gente lá que acompanha os Garotin desde 2023 e nunca viu o nosso show. Vamos viver uma explosão de sentimentos acumulados, grande, forte, estou muito ansioso”, disse. “Vir logo depois do Rock in Rio é muito simbólico. A gente não planejou nada disso, foi acontecendo. Sempre parece haver um alinhamento mais inteligente fazendo as coisas acontecerem de um jeito mais bonito do que seríamos capazes de planejar.”

Ouça os maiores sucessos de Os Garotin