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Laufey no Rock in Rio 2026 (Daniel Pinheiro/Brazil News)

Laufey no Rock in Rio 2026 (Daniel Pinheiro/Brazil News)

Laufey prova que conexão com os fãs é maior que muita coisa

Cantora foi a headliner do Palco Sunset na noite desta segunda-feira (7)

Laufey fez sua estreia no Palco Sunset do Rock in Rio 2026 nesta segunda-feira (7), com um show que antecede o fim da turnê mais recente da carreira da islandesa, “A Matter of Time”. Depois daqui, ela viaja para São Paulo para mais uma apresentação, marcada para 9 de setembro.

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Desde a abertura com “Lover Girl”, era difícil prestar atenção em apenas um elemento.

Laufey surgiu com um vestido volumoso em tom terracota avermelhado, coberto por brilhos, diante de uma cenografia que transformou o Sunset em uma espécie de conto de fadas teatral. Escadas, arcos e um balanço central dividiam espaço com painéis que acompanhavam as músicas e criavam diferentes atmosferas ao longo da apresentação.

A estética combinava elementos da elegância da antiga Hollywood, do romantismo vintage e da música clássica, referências que também atravessam a sonoridade da cantora.

Laufey dançou, tocou piano e violoncelo e dividiu o palco com bailarinas, explorando cada parte da estrutura montada para o espetáculo.

No palco, ela provou que manter uma conexão poderosa com os fãs vale muito dentro da programação disputada de um festival como o Rock in Rio.

A grade estava abarrotada de gente que gritava seu nome a plenos pulmões, apesar da pronúncia pouco usual para brasileiros que sabiam cada letra de cada música.

“Cada país, cada língua, cada dialeto tem uma forma diferente de falar meu nome. É como se eu tivesse muitas identidades”, brincou a cantora em conversa com a Billboard Brasil antes de subir ao palco.

A conexão parecia ainda mais significativa porque aquela era também a primeira passagem de Laufey pelo Rio de Janeiro. Antes da apresentação, ela contou que chegar à cidade tinha um peso particular por causa de sua relação com a bossa nova.

“Sou muito inspirada pela bossa nova, então estar no lugar onde tudo isso nasceu é muito especial. Parece que tudo faz sentido agora”, disse.

A cantora explicou ainda que o gênero é uma das linguagens com as quais mais aprendeu e das quais mais buscou inspiração para construir a própria música.

Nas partes mais afastadas do Sunset, ela conseguiu cativar também a atenção dos curiosos com um repertório sensível e elegante, marcado pelo jazz, pela música clássica e por toques de bossa nova.

E essa mistura não acontece apenas pela vontade de reproduzir referências de outras épocas.

“Eu nunca quero recriar a música do passado. Quero servir como uma espécie de porta de entrada para que o público mais jovem descubra essa música”, explicou à Billboard Brasil.

“Quero mostrar às novas gerações que música clássica e jazz também são para elas.”

Se a influência brasileira já estava presente na construção musical de Laufey, no Rock in Rio ela ganhou uma demonstração ainda mais direta.

A cantora contou ao público que havia preparado uma surpresa especialmente para sua passagem pelo país.

“Eu tenho muitas inspirações no Brasil e também em artistas brasileiros, e em todos vocês. Então pensei em aprender uma das minhas músicas brasileiras favoritas. Vamos cantar em português”, anunciou antes de interpretar “Perdido de Amor”, de Luiz Bonfá.

O resultado foram gritos emocionados e até agradecidos pelo gesto. Mais cedo, na entrevista, ela já havia revelado que estava aprendendo uma música em português e brincou que provavelmente teria de repeti-la no show de São Paulo, já que tinha se dedicado a aprendê-la.

A relação com a música brasileira, aliás, parece longe de terminar nessa homenagem. Questionada pela Billboard Brasil sobre a possibilidade de explorar ritmos do país em trabalhos futuros, Laufey destacou tanto a riqueza melódica quanto a complexidade rítmica da produção nacional.

“Há muita coisa em que posso mergulhar. Acho que descobrir diferentes gêneros e encontrar novas maneiras de reinventar seu som é crucial para um artista. Como artista, você precisa continuar curioso”, afirmou.

Para além de uma bela voz e de um repertório que combinava com o frio desta noite, Laufey mostrou ser uma simpatia em pessoa.

A apresentação foi acompanhada por uma banda afiada, bailarinas, trocas de figurino e mudanças de atmosfera que faziam o cenário funcionar quase como mais um personagem do espetáculo.

Ela também transitou entre instrumentos. Sentou-se ao piano, assumiu o violoncelo e, em outro momento, diminuiu a distância entre palco e plateia ao se aproximar dos fãs.

E parecia saber exatamente quem estava esperando por ela. Laufey comentou durante a apresentação que aquela era uma das últimas paradas da turnê e agradeceu pela possibilidade de chegar ao Brasil justamente neste momento da trajetória.

“Este é um dos últimos shows que estou fazendo com a minha turnê e me sinto tão feliz de finalizá-la aqui no Brasil. […] Vocês sempre dizem: ‘Venha para o Brasil’. E, sabe, eu vim!”, disse, arrancando gritos da plateia.

A cantora ainda contou que a fama do público brasileiro já circulava entre os próprios artistas antes mesmo de sua chegada.

“No mundo da música, todo mundo fala que os fãs brasileiros são incríveis. E realmente é verdade.”

No fim do show, ela se mostrou definitivamente rendida. Antes de começar “Goddess”, deixou uma promessa:

“Eu com certeza vou voltar para o Rio. Vocês são um público incrível. Quero agradecer demais a todos vocês por terem ficado comigo hoje”.

Talvez tenha sido justamente essa combinação que permitiu a Laufey funcionar tão bem em um festival gigantesco.

Seu show não precisou competir em volume com tudo o que acontecia ao redor. Entre piano, violoncelo, bossa nova, vestidos brilhantes e uma cenografia de conto de fadas, ela fez o contrário: construiu seu próprio pequeno universo dentro da Cidade do Rock e conseguiu fazer milhares de pessoas entrarem nele.

Acompanhe a Billboard Brasil no Rock in Rio 2026

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